~Lauren Isadriel: Director Edition

A História de Lauren Isadriel: Versão do Diretor

Quando Lauren chegou na cidade de Waterdeep, logo ficou óbvio para aqueles que sabem observar que a jovem estava se escondendo de alguém. Para a maior parte, era só uma garota assustada e deslumbrada com a cidade grande, para outros, uma bela moça misteriosa. Mas para Bill Sikes, a jovem era uma belíssima mulher, assustada, deslumbrada, fugindo de algo e que demonstrava grande potencial para as artes do subterfúgio. Bom, nenhum cavalheiro que se preze poderia deixar uma moça assim tão indefesa e desprotegida. A cidade era perigosa, e claro, ela com certeza ficaria muito grata se um cavaleiro em armadura brilhante a ajudasse nessa situação tão difícil. Mesmo se o cavaleiro na verdade fosse um ladrão de língua hábil.
Foi fácil se aproximar da jovem, e mais fácil ainda impressioná-la, já que ela demonstrou bastante interesse na profissão em que Bill Sikes era um especialista. Infelizmente para ele, ou felizmente talvez, quem poderia saber, ela também era muito interessante: pensava e se portava como uma verdadeira mulher, mas possuía o rosto de uma garota jovem, e aqueles traços exóticos e belos, os cabelos vermelhos, os olhos verdes, profundos e amendoados… É, ambos haviam sido enredados pelos caprichos dos deuses do amor, ao menos até onde pessoas que enganam os outros pra viver podem se apaixonar…
Algum tempo passou, não muito, e Lauren já estava bem treinada, quando Bill Sikes veio com uma proposta a ela: ia apresentar uns “amigos” a ela, umas pessoas que podiam colocá-los em uma grande jogada, muito lucrativa. Ela recebeu um apelido, “Ms. Potty”, e seu companheiro se chamava “Mr. Nore Fleckt”, era assim que eles deviam se tratar daqui em diante, ninguém mais devia saber quem eles eram.
Os “amigos” de Mr. Nore Fleckt eram uns caras estranhos, e a jovem ladra logo percebeu que nenhum deles era realmente amigo um do outro, o que explicava porquê dos apelidos. O grupo era formado por outros quatro homens. Havia um homem estranho, de meia idade, cabelos grisalhos e desgrenhados, sobrancelhas juntas e hirsutas, bigodes grandes e uma barba tão desgrenhada quanto seus cabelos. Ele se dizia um clérigo de Malar, o deus das feras, e tinha o olhar de um predador faminto. Chamavam ele “Dr. Harvard”.
Outro era um cara franzino, de cabelos louros encaracolados, quieto e introvertido, que estava sempre interessado em coisas arcanas. Ele não fazia quase nenhum barulho quando se movia, e falava apenas o necessário, por isso seu apelido era “Mr. Sil Hencer”.
Por fim, o grupo era completado por uma dupla que estava sempre junta, e pareciam ser os únicos que realmente possuíam alguma ligação que não fosse estritamente profissional. Talvez a amizade fosse possível porque um deles, um cara realmente grande, de feições grosseiras e abrutalhadas, que mais parecia um guerreiro ogro do que um ladrão, aparentava não ter nenhum vestígio de cérebro, e obedecia cegamente ao outro. Este, por sua vez, era um cara que parecia entender das coisas, um ladrão e um assassino profissional, e fora ele que trouxe a informação que poderia levá-los a uma vida de fortuna. Seus nomes eram “Mr. Hyde” e “Mr. Jekyll”.
O negócio era o seguinte: havia umas ruínas, catacumbas ou seja lá o que aquilo foi um dia, mas o que interessa é que os boatos diziam que muitos tesouros estavam guardados lá, e que provavelmente o local era amaldiçoado, e o pior de tudo, todos que já haviam entrado lá nunca mais saíram. Bom, eles não acreditavam em histórias de maldições e fantasmas, mas se realmente tinham tesouros guardados por lá, deviam haver armadilhas, razão pela qual ninguém havia voltado. E se tanta gente tinha tentado antes deles, talvez fosse a hora de invadir o local e pegar o tesouro, afinal, a maioria das armadilhas já devia estar desarmada…
Assim, o excêntrico bando de ladrões pesquisou tudo o que podia sobre o local da expedição, e finalmente prepararam tudo para a operação. Realmente eles constataram que haviam algumas armadilhas, outras desarmadas. Parecia que o local fora lacrado por alguém antes de outros ladrões arrombarem. Finalmente eles chegaram ao que parecia a câmara principal. Tudo bem que o lugar era bem guardado, mas nada tão complicado assim… os outros que tentaram deviam ser um bando de incompetentes…
Foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas de verdade. A câmara principal já havia sido invadida antes, e estranhamente, todo o tesouro estava lá… e não era pouco, eram montanhas de tesouros, de todos os tipos. Mas o que mais chamava atenção na cena era a quantidade de esqueletos no local. Parecia que muita gente havia morrido por ali, em várias situações e épocas diferentes, e mais, parecia que haviam lutado uns com os outros. Mas o impacto causado pelas ossadas durou pouco. A atenção de todos foi atraída por algo que estava no fundo da sala, uma caveira cravejada de jóias que repousava sobre um pedestal. Aquilo parecia tão majestoso, tão desejável, tão diferente…
Todos pareceram esquecer tudo o mais que estava na sala, ou até mesmo porque estavam ali. O Crânio era tudo o que importava. Mr. Hyde foi até o pedestal e pegou o objeto para si, voltando como um esportista vitorioso carregando seu troféu. Ele caminhou em direção a seu amigo Mr. Jeckyll, que também foi em direção a ele. Um se aproximou do outro, e quando o brutamontes mostrava o crânio a seu companheiro, este sorrateiramente o estocou de forma mortal com uma longa adaga enquanto pegava a jóia de suas mãos. Mr. Hyde tentou cambalear na direção do amigo, mas Mr. Jeckyll recuou e disse “Está envenenada, meu amigo, você não tem chance. Mas será uma morte rápida.”.
Nesse momento, ficou claro que o tesouro não seria dividido, ao menos não o tesouro que todos queriam. Frente à cena, Mr. Sil Hencer desapareceu na frente de todos, como num passe de mágica… Dr. Harvard invocou as bênçãos de Malar e criou um circulo de chamas à sua volta, que impedia que outros o atacassem. Mr. Nore Fleckt, ficando com poucas opções, atacou Mr. Jeckyll, no que se mostrou um combate violento. E enquanto todos prestavam atenção no conflito, Lauren que havia ficado um pouco mais para trás, escondeu-se da melhor forma possível, esperando o momento certo de agir.
O combate se desenrolava como se nenhum dos dois fosse sair vencedor, até que a sala irrompeu em chamas repentinamente, carbonizando os dois ladrões. Por sorte, a sala era grande, e apenas os dois foram atingidos. Ficou claro quem fez aquilo, quando Mr. Sil Hencer reapareceu, ainda terminando os gestos da magia…
Dr. Havard olhou para ele, o circulo de chamas desapareceu, e falou “Bem, agora parece que somos só nós dois…”. Mr. Sil Hencer pela primeira vez durante toda a expedição quebrou seu silêncio dizendo “Você não devia ter baixado sua proteção.”, dito isso, começou a realizar gestos arcanos. Em resposta, Harvard clamou por seu deus “Malar, Deus das feras, me dê sua benção nessa hora difícil, e me envie um de seus servos para punir esse infiel”.
Os gestos mágicos de Sil Hencer foram interrompidos pelo poderoso abraço de um urso enorme que se materializou às suas costas. O barulho de ossos se quebrando ecoou por toda a câmara, e seu corpo caiu inerte no chão frio e poeirento.
O clérigo de Malar então olhou à sua volta, e como não percebendo mais ninguém, caminhou calmamente até o crânio e o pegou do chão, parando para observá-lo com admiração. Nesse momento, Lauren aproveitou seu descuido. Pegou silenciosamente a lança de um dos esqueletos na câmara, e mais silenciosamente ainda, caminhou até o clérigo e trespassou ele pelas costas. O crânio rolou pelo chão, e Harvard olhou para a meio-elfa antes de desfalecer, dizendo apenas “Você…”.
Lauren estava assustada, mas ao mesmo tempo extasiada: havia vencido um bando inteiro de ladrões experientes, e tinha o crânio só pra si. Ela caminhou até o objeto, que parecia tão belo e inofensivo, e abaixou para pegá-lo… nesse momento, algo a atingiu por trás, na cabeça, um golpe forte que a fez desmaiar. A ultima coisa que ela viu foi o chão de pedra fria se aproximando…
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